As 5 fases do luto da enormíssima instituição que é o Benfica estão a acontecer de forma aleatória. Passo a explicar ...
Quando todos pensavam que adeptos, dirigentes, sócios e associados passavam neste momento a fase da Depressão ali à porta da Aceitação, devido a alguns comentários de benfiquistas cabisbaixos e praticamente derrotados nos programas dedicados a estes assuntos, eis que, do nada surge um bode expiatório chamado Paulo Gonçalves.
Felizmente não se conseguem dissociar as acções corrosivas no desporto português desta personalidade das da SAD do Benfica e do seu excelentíssimo presidente.
Aí vem a Raiva, vociferando contra o Futebol Clube do Porto e o excelentíssimo senhor Pinto da Costa relativamente ao caso do apito dourado, porque também se teriam envolvido em corrupção ativa do futebol português. Caso arquivado, e com condenados e Pinto da Costa e FCP ilibados.
Contra o Sporting relativamente ao caso Cardinal. Com o mesmo desfecho!
Mas como ambos os casos já foram encerrados e vá, estamos a falar de APENAS 79 CRIMES cometidos pelo Benfica e associados, e como não há justificação possível para estes factos, entra em jogo o amor cego, a inocência soberba de qualquer criança que ainda acredita na existência do Pai Natal, a incredulidade de alguém que está habituado a controlar tudo e todos, ficar sem as suas muletas que sustentam a mentira que são, dando início à fase da Negação.
Negando tudo e esperando a demora (factual e normal) da justiça portuguesa para actuar, ganham tempo para que se descubra quem efetivamente se apropriou de tais e-mails que comprovam a corrupção massiva no futebol português dessa nobre e integra instituição. Iniciando-se a fase da Barganha, virando-se as atenções para os crimes cometidos por alguém que efetivamente é um criminoso assumido, (porque a meu ver quem faz da vida pirataria informática, por muito boas intenções que tenha, será sempre um criminoso) e persegue-se a ideia, talvez até verídica, de que tal indivíduo foi pago por pessoas pertencentes aos quadros dos clubes rivais para "exercer as suas funções". O que não deixa de ser condenável.
Mas querer vender a ideia de que alguém que comete o crime de violação de privacidade (será assim ?) é tão ou mais culpado que alguém/alguma instituição que cometeu 79 CRIMES, é querer fazer da população portuguesa atrasada mental !
E não é uma questão de clubes.
Tenho muita pena pelos benfiquistas que estão a passar por tudo isto, embora na altura do "apito dourado" não tenha ouvido nada parecido do outro lado.
Não é uma questão de vingança nem de raiva.
É uma questão de honestidade e integridade.
Quem é culpado deve ser punido.
Um senhor que devia 400milhões de euros a um banco que faliu, tem que ser muito doente da cabeça para continuar a exercer os cargos que exerce.
Mas pior é quem o lá põe.
Que vergonha alheia.
Que falta de escrúpulos.
Como vai o nosso país se isto passa impune.
Deixem-se de falsos moralismos e assumam as consequências dos vossos actos !
Há quem por coisas muito menos graves tenha a justiça à perna.
Só por serem quem são não vos dá mais direitos, bem pelo contrário, dá-vos mais responsabilidade por agirem correta e exemplarmente.
Devaneio Acessório
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
terça-feira, 11 de abril de 2017
Insónia
Convido-vos a fazer parte de mais uma insónia que, além de uma solidão e tristeza inexplicáveis, tende a ser a minha única companhia noctívaga dos últimos meses. Permitam que introduza uma nova prática mental cujos únicos requisitos são a veracidade de uma boa história e, por conseguinte, o manejo de recursos linguísticos que a tornem o mais aprazível possível.
Assim sendo, e sem mais demoras, iniciemos então uma nova vertente do "Quem Nunca?". Provavelmente estas palavras ocas, sentidas e vividas, por infortúnio da sua descendência jamais ganharão contornos de um bom conto ou história. Espero que, através de algum fenómeno osmótico, consiga que nessa frustrante mágoa, transpareça através delas, uma parte de quem as escreve.
Retomando o desafio proposto anteriormente, a mim próprio e, é claro, ao silêncio cintilante da lâmpada gasta do quarto, ao cinzento do pó que cobre os livros esquecidos e ao lápis que dá vida às folhas virgens, cuja audácia do presente autor decidiu desfolhar, sabendo de antemão que dessa profanação urge um aborto iminente, quase espontâneo, da narrativa que as sustenta.
Quem Nunca, olhou um ecrã preto, totalmente vazio de conteúdo, levado não só pela preguiça matinal que o sono impõe ao nosso cérebro, mas também pela necessidade ambígua de olhar para algo sem estar efectivamente a ver, sem ser perturbado pelo ruído imenso de um, ou uma jornalista, que nos invade o pensamento sem pedir licença, e despeja uma imensidão de dejectos a que, eufemisticamente, chamamos de notícias, cujo conteúdo, na sua grande maioria, serve apenas para manipular o cidadão comum que, já de caneca na mão mas ainda intrigado com a estranheza do sonho dessa madrugada , é encharcado com opiniões formadas, formatadas e até alteradas por uma comunicação social centralista, precipitada, corrupta e até por vezes chauvinista ?
Quem Nunca, assistiu a um filme às duas da manhã sobre um tema que se relaciona directa e intimamente com a sua vida pessoal, focando os aspectos mais sentimentalistas do ser humano, levando a que repensemos nas atitudes que tomamos irreflectidamente com alguma pessoa por quem sentimos um carinho enorme, e guiados pelo conselho da mensagem implícita pelo realizador do programa televisivo, enviamos uma mensagem demasiadamente emotiva para ser tida em consideração devido não só à sua função. que é a de compensar alguém por um erro nosso, mas também pela covardia de não ter sido capaz de enfrentar a mesma pessoa cara a cara e dizer-lhe exactamente as mesmas coisas ?
Quem Nunca disse para si mesmo que ia mudar o seu comportamento num cômputo geral, que repetiu até à exaustão palavras de motivação e confiança, que ia falar com as pessoas que o julgam e criticam, mas quando chega a altura de o colocar em prática, como que imitando a idiossincrasia comportamental das avestruzes quando presentem o medo, "enfiam a cabeça num buraco", retomando os velhos costumes ?
Quem Nunca sucumbiu ao egocentrismo infantil que a religião tão carinhosamente denomina de Gula, que é comer apenas pelo imediato da satisfação ou do prazer de saborear a tarte ou o bolo que ficou para dividir pelos restantes familiares ?
Quem Nunca mentiu aos seus pais acreditando cegamente que eles iriam acreditar na totalidade da ficção que contamos, sabendo que não há no mundo quem nos conheça melhor, e que se não for por uma falha na fiabilidade e fidedignidade da história, eles reconhecem nos nossos olhos, nas mãos, ou até na própria sombra da nossa figura, o corpo inteiro da mentira.
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